terça-feira, 14 de agosto de 2012

Evitando uma Falsa Teologia de Sofrimento




O tempo de Martinho Lutero no monastério foi um tempo de desespero espiritual. Ele era atormentado por uma desamparada culpa, junto de um grande medo da ira de Deus. Por que um homem educado deveria refugiar-se em uma árida cela e abusar-se com auto-infligida punição física (auto-flagelação)? Por que um crente deveria procurar sofrimento pessoal?

A resposta pode ser encontrada parcialmente, não totalmente, em um conceito que emergiu na história da igreja que igualou sofrimento e mérito. Monges refugiavam-se no deserto para buscar formas rigorosas de asceticismo¹ e negação-própria, não apenas como uma forma de disciplina espiritual buscando a manutenção da dependência da graça de Deus, mas também em busca de mérito santificador.

Um texto bíblico que foi usado como autoridade espiritual para tal atividade é Colossensses 1:24. Paulo escreve, "Agora, me regozijo nos meus sofrimentos por vós; e preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja". As palavras-chave deste versículo são "e preencho o que resta das aflições de Cristo."

Uma falsa teologia de sofrimento emergida que foi construída na hipótese de que o sofrimento de Jesus, ainda que seja necessário para a redenção do povo de Deus, não é completo - há mérito extra que pode ser adicionado a isso pelo sofrimento dos santos.

Coram Deo

Reflita nesta verdade: o sofrimento de Cristo não pode ser aumentado por seu mérito. Ele é completo.

Passagens para estudo adicional:

Colossensses 1:24
1ª Pedro 2:21
1ª Pedro 3:15

¹ O ascetismo ou asceticismo é uma filosofia de vida na qual são refreados os prazeres mundanos. Muitos ascéticos acreditam que a purificação do corpo ajuda a purificação da alma, e de fato à obter a compreensão de uma divindade ou encontrar a paz interior. [N.T.]

Fonte: Ligonier Ministries
Tradução: Jonathan Arthur Morandi

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