sábado, 25 de janeiro de 2014

Sobre o governo eclesiástico Presbiteriano (ou por que você deveria ser presbiteriano?) - por Mark Jones





Apesar do que você pode imaginar, a eclesiologia Presbiteriana não é primariamente definida por igrejas sendo governadas por anciãos, mas por presbitérios. Os presbitérios podem ser constituídos de anciãos de uma igreja local, uma igreja regional, e pelo o que é chamado de "assembleia geral". Esta visão é estabelecida a partir da unidade da igreja visível. Pautado na suficiência das Escrituras, o Presbiteriano crê que a igreja é governada por jure divino (direito divino). Existem certos princípios constantes no governo da igreja. Nós cremos que Cristo abençoa a igreja com as Escrituras, com os oficiais ordenados, e com os sacramentos. Nisto, Cristo "ordenou seu sistema de doutrinas, governo, disciplina e adoração, todos os quais são ou expressamente estabelecidos nas Escrituras, ou por boa e necessária inferência podem ser deduzidos delas" (Book of Church Order da Presbyterian Church in America).

Ainda que haja muita coisa em que Presbiterianos e congregacionalistas clássicos concordem, no entanto, contrários à visão congregacionalista, Presbiterianos afirmam a autoridade dos presbitérios sobre a igreja local. Este é o cerne da questão entre Presbiterianos e congregacionalistas: autoridade.

 Primazia da Igreja Universal

O presbiterianismo tem como alvo da eclesiologia uma igreja visível universal. Este princípio é tirado da ideia escriturística de unidade da igreja. O Credo Niceno fala de uma "igreja una, santa, católica e apostólica." As Escrituras são claras quanto à unidade da igreja visível, porque "há somente um corpo e um Espírito... um Senhor, uma fé, um batismo" (Ef. 4:4-5; veja também João 17:20-23).

No Novo Testamento a palavra igreja (singular) aparenta ser aplicada "a um intermediário entre a congregação local por um lado, e a igreja católica ou universal por outro" (veja Atos 8:1; 11:22; 15:4; Ef. 4:4-5), de acordo com William Cunningham em seu Historical Theology. Cunningham nota que a igreja em Jerusalém não poderia reunir-se no mesmo lugar (não havia arenas de basquetebol à venda ainda), e portanto ela se reunia em diversos lugares. "Ainda," diz Cunningham, "estas congregações distintas são referidas repetidamente como a igreja que estava em Jerusalém; e esta igreja, consistindo de várias congregações, é representada como estando debaixo da superintendência de um corpo unido de apóstolos e presbíteros, ou anciãos" (veja também Atos 6:1-6; 15:2). Perceba também a implicação de Atos 9:31 onde o termo singular igreja refere-se a toda Judeia, Galileia e Samaria.

Poder Vinculativo dos Presbitérios

Seguinte à ideia de igreja visível universal, onde cada congregação tem uma conexão necessária com outras, Presbiterianos mantêm que a igreja visível deve ser governada - não somente "aconselhada" - além da congregação local e particular. Provar este ponto efetivamente refuta o congregacionalismo.

Atos 15 é o texto-chave para Presbiterianos nesta questão. Atos 15:2 nos mostra que os anciãos da igreja de Jerusalém receberam Paulo e Barnabé da Antioquia para discutirem assuntos de doutrina e prática. Os anciãos de Antioquia "nomearam" e enviaram Paulo e Barnabé. Aqueles que tomaram as decisões neste concílio em Jerusalém eram apóstolos e anciãos (Atos 15:4, 6, 22, 23; 16:4). Membros não-ordenados da igreja não tiveram um papel oficial neste concílio. Congregacionalistas, desejando argumentar contra uma interpretação Presbiteriana de Atos 15, normalmente sugerem que este encontro não deve ser considerado como normativo para a igreja, pois os apóstolos agiram de uma maneira profética, sob orientação sobrenatural. Mas há muitos fatores que provam que os apóstolos agiram como oficiais eclesiásticos ordinários.

Por que que eles decidiram discutir tais assuntos se eles receberam orientação sobrenatural sobre eles? Por que, como Cunningham diz, os apóstolos debateram assuntos sobre "motivos derivados uma vez de tratos providenciais de Deus, e de afirmações contidas no Antigo Testamento" se eles estavam debaixo de iluminação profética especial? A natureza da deliberação do concílio prova "o poder dogmático de uma côrte da igreja", Guy Waters escreve em seu altamente recomendado How Jesus Runs the Church. A assembleia resolveu uma questão doutrinária (Atos 15:24, 27), e exerceu um poder de ordem ao dizer a outras igrejas para absterem-se de certas práticas (Atos 15:28-29). Atos 15 prova que questões doutrinárias em uma ou em várias igrejas têm necessariamente implicações para todas as igrejas em um sentido vinculativo, graças as decisões de uma côrte superior (Atos 15:22-23).

Como Donald Macleod nota, "Desde o começo a igreja tem uma liderança unificada, colegial, estendida a todas as suas congregações. Tal liderança esteve diretamente envolvida e era consultada a cada ponto crítico no desenvolvimento do povo emergente de Deus: a recepção da igreja de Samaria (Atos 8:14), a missão de Pedro a Cornélio (Atos 11:1ff.) e o ministério de Paulo aos gentios (Gal. 2:9). Esta ideia de igrejas totalmente isoladas e completamente autônomas é alheia ao Novo Testamento." Congregacionalistas clássicos tentam resolver o problema do isolamento, mas somente fazem isso abraçando princípios Presbiterianos.

As Chaves do Reino e os Anciãos

A quem pertencem as chaves do reino (Mat. 16:17-19)? Todo o corpo é recipiente do poder descrito, porque o "poder do todo está em toda a parte", escreve Thomas Peck em seu Notes on Ecclesiology. Isto significa que o corpo possui poder na medida em que elege os oficiais da igreja (Atos 6:3; 14:23; Tito 1:5), visto que os oficiais possuem poder sobre seu exercício. Somente os anciãos, eleitos e representativos dos membros da igreja, têm o poder de "ligar e desligar" (Mat. 16:19). Um ancião tem poder ministerial e declarativo, não legislativo. Eles simplesmente executam a lei de Cristo (confira Confissão de Fé de Westminster, 20.2). Em cada igreja uma pluralidade de anciãos é assumida ou comandada (Atos 20:28; Fil. 1:1; 1 Tess. 5:12-13; Tito 1:5, 7; 1 Pedro 5:2). Tais anciãos podem ser professores ou regentes (1 Tim. 5:17).

Em muitas igrejas congregacionalistas a autoridade para governar pertence de maneira última à congregação local, mas nem sempre está claro onde em tal congregação reside a autoridade final. Muitos teólogos congregacionalistas afirmaram o uso de sínodos, mas a rejeição do conselho de outros ministros é somente "imprudente", não inadmissível. Disciplina eclesiástica de outros presbíteros é inválida.

 A Glória do Presbiterianismo

Qual mecanismo será usado para proteger e construir a unidade da igreja visível se o congregacionalismo for aceito? Falsos ensinamentos destroem a unidade, mas o mecanismo para lidar com eles, sob a eclesiologia congregacionalista é deixado para a própria congregação. Congregações particulares precisam da proteção de outras, assim como pastores precisam da proteção e (as vezes) da disciplina de outros pastores. É bom que a minha congregação possa apelar para meu presbitério caso meu ensino torne-se suspeito, e os anciãos e eu nos recusemos a ver meu problema. Que outros anciãos podem ter autoridade sobre assuntos de doutrina em nossa igreja é nossa força, não uma fraqueza - porque eles podem prover uma avaliação mais objetiva do problema em questão (Prov. 11:14).

Além do mais, em muitas igrejas congregacionalistas é inteiramente possível que o ministro Calvinista saia, apenas para ser substituído por um Arminiano. Os presbiterianos têm mecanismos para prevenir tal mudança drástica. Eu aprendi muito com meu amigo congregacionalista Hunter Powell (o líder erudito da eclesiologia Puritana atualmente), sobre o quanto os congregacionalistas precisaram do estado para regular a verdadeira religião na esperança de alcançar unidade eclesiástica. Com a atual separação entre igreja e estado, entretanto, eles não têm mais tal recurso para estabelecer a ampla unidade. E então uma das falhas da eclesiologia congregacionalista é sua independência crassa e inabilidade para regular a verdadeira religião em grande escala. O presbiterianismo tem um mecanismo melhor para lidar com a falsa religião e estabelecer a verdadeira (tal como a Confissão de Fé de Westminster).

Guy Waters observa, "O presbiterianismo é essencial para o bem-estar (bene esse) mas não para a essência (esse) da igreja. A rejeição ao presbiterianismo não é, portanto, barreira para receber uma pessoa não-presbiteriana como uma Cristã, ou uma igreja não-presbiteriana como um verdadeiro ramo da igreja, desde que ela de fato creia no único Cabeça da igreja, Jesus Cristo." Assim, na PCA nós recebemos qualquer Cristão como membro regular em nossa igreja, mesmo que ele não seja favorável ao pedobatismo. Se alguém pertence a Cristo nós não temos motivos para barrá-lo da comunhão visível ao corpo de Cristo. Nosso desejo pela unidade - objetivada em nossos termos de membresia - é nossa glória e glória de Cristo (João 17:20-22), e esta glória é melhor realizada na forma de governo conhecida como Presbiterianismo.

texto original tirado de The Gospel Coalition
tradução: Jonathan Arthur Morandi

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