domingo, 23 de julho de 2017

O Edito de Tessalônica - por Adi



O Edito de Tessalônica, emitido por três imperadores Romanos em 380 AD, marcou o início da Cristandade.

A perseguição à igreja cristã primitiva sob o Império Romano foi temporariamente suspensa pela primeira vez no começo do século IV, com os imperadores Constantino Magno e Licínio I, que lideraram respectivamente as partes ocidental e oriental do império, com o Edito de Milão em 313. O Edito determinou que os Cristãos devessem ser tratados com benevolência dentro do Império Romano. Os sucessores de Constantino, Constâncio II e Juliano Apóstata, entretanto, favoreceram o paganismo, o arianismo e o judaísmo sobre o Cristianismo.

A dinastia Constantiniana acabou em 364 AD, para ser sucedida pelos Valentinianos. Estes governariam o Império Romano do Ocidente até 392, e o Oriente até 378. Os dois primeiros imperadores desta dinastia, Valentiniano I e Valente, eram ou imparciais ao Cristianismo ou favoráveis aos arianos.

Em 367 as coisas começaram a mudar radicalmente para o Cristianismo no Império Romano. Graciano, filho de Valentiniano I, sucedeu Valente como imperador romano. Graciano recusou participar do culto imperial e removeu alguns ídolos pagãos de espaços públicos em Roma. Ele apontou o bispo cristão S. Ambrósio como seu conselheiro-chefe. Também apontou, como co-regente Cristão no oriente Teodósio I, um primo de sua esposa.

Sob a influência do pai da Igreja e bispo S. Ambrósio, Graciano e Teodósio perceberam que a política de pluralismo religioso existente era insustentável. Com a rejeição ao culto imperial por parte de Graciano, um vácuo religioso subsistiu no império, já que isto efetivamente desestabilizou a religião pública da época. Junto com o jovem co-regente ocidental, Valentiniano II, eles consequentemente emitiram o Edito de Tessalônica, o que tornou o Cristianismo oficialmente a religião do estado do Império Romano.

O Edito declarou:

"Queremos que todos os povos governados pela administração da nossa clemência professem a religião que o divino apóstolo Pedro deu aos romanos, que até hoje foi pregada como a pregou ele próprio, e que é evidente que professam o pontífice Dámaso e o bispo de Alexandria, Pedro, homem de santidade apostólica. Isto é, segundo a doutrina apostólica e a doutrina evangélica cremos na divindade única do Pai, do Filho e do Espírito Santo sob o conceito de igual majestade e da piedosa Trindade. Ordenamos que tenham o nome de cristãos católicos quem sigam esta norma, enquanto os demais os julgamos dementes e loucos sobre os quais pesará a infâmia da heresia. Os seus locais de reunião não receberão o nome de igrejas e serão objeto, primeiro da vingança divina, e depois serão castigados pela nossa própria iniciativa que adotaremos seguindo a vontade celestial.”

O edito é também conhecido como Cunctus populos, suas duas primeiras palavras em latim, geralmente traduzidas como “todos os povos”, mas poderiam ser melhor traduzidas como “nações unidas”. As duas primeiras palavras escolhidas pelos Imperadores Cristãos falam muito sobre sua visão e ideia para o império. Os imperadores não viam o império como um país. Nem o viam como uma nação. Eles o viam como um grupo de nações Cristãs co-existindo pacificamente sob seu reino. Em outras palavras, eles rejeitavam a ideia de nação proposicional. Isso indica um claro entendimento do princípio da cosmovisão Cristã do uno e do múltiplo, cujas raízes estão na natureza trinitária de Deus, por parte destes dois grandes imperadores.

O filósofo calvinista R.J. Rushdoony observou:
A redução religiosa de toda a realidade a um é panteísmo...[isto] pressupõe a unidade como única virtude...[em oposição] temos uma distinção que não existe no pensamento não-Cristão: temos um uno-e-múltiplo temporal no universo criado, e temos um Uno-E-Múltiplo eterno na trindade ontológica.¹

Esta era a filosofia dos imperadores. Ela é muito diferente dos objetivos de grupos inspirados pelo Iluminismo, como as Nações Unidas, que não toleram nenhuma das distinções criadas por Deus. Na verdade, a civilização Cristã que este edito iniciou foi caracterizada por uma pluralidade de autoridades governamentais co-existentes, exercendo poder descentralizado de uma maneira que pode ser descrita como subsidiariedade: duques, príncipes, bispos, reis e imperadores, todos co-reinaram pacificamente na Cristandade por mais de mil anos. Este arranjo estabelecido só seria interrompido pelos objetivos amalgamacionalistas da Revolução Francesa, que marcou o início do fim da Cristandade Ocidental.

Eu escolhi este aspecto particular deste edito histórico como meu foco para este artigo, mas outros elementos louváveis claramente expressos que não podem deixar de ser mencionados incluem: o respeito pela tradição como meio para preservar a verdadeira religião; e uma visão solidamente teonômica da lei.

O Edito de Tessalônica precisa ser reafirmado uma vez que nós, como nações cristãs ocidentais, reconquistamos a autodeterminação.

Notas:

¹ RJ Rushdoony, The One and the Many. Thoburn Press: Fairfax, Virginia, 1978, pp. 6, 7,10, traduzido livremente.

texto original: The Edict of Thessalonica
tradução: Jonathan Arthur Morandi

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